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terça-feira, 4 de agosto de 2015

A simplicidade que faz valer a vida: de Córdoba para os Lençóis Maranhenses


Bom demais passar uns dias desconectados. Sem rede de celular, sem internet, sem água quente e sem luz algumas vezes, mas em troca, tivemos dias lindos de céu turquesa, noites estreladíssimas com uma lua-sorriso-de-gato, envoltos por rios de água doce e limpa, lagoas no meio de dunas, muito peixe fresco e plânctons no mar. São as compensações que só uma vida rústica pode nos presentear.

O descritivo sobre esse lugar pitoresco, não serve para despertar aquele sentimento de “Poxa, o que estou fazendo aqui que não estou lá...”, mas sim para entrar no espírito da nossa próxima história.

Federico, argentino de Córdoba, era um advogado de sucesso com uma vida estável e promissora. Sete anos atrás foi pra Atins de férias. Ao pisar lá descobriu o quanto era estressado, workaholic e estava deixando ser engolido pelo tempo. Ao conhecer aquele pequeno-paraíso-distante e desconectado do mundo, voltou a sentir algo que há muito não sentia: MARAVILHAMENTO. E foi esse sentimento simples mas absoluto, que o fez tomar a decisão de largar tudo no grande centro e mudar de peito aberto para o coração dos Lençois Maranhenses. Nos contou que nem lembrava há quanto tempo não sentia algo parecido, algo que em sua opinião, faz valer a vida.

Decisão tomada, demorou um ano para se organizar, encaminhar os processos e fazer sua mudança (um capítulo à parte pois móveis e objetos só chegam em Atins pelo Rio Preguiça ou pelas Dunas).


No início decidiu tirar um período sabático, apenas curtir as belezas e encantos do local. Mas logo a vontade de empreender apareceu. Convidou seus 4 melhores amigos para conhecerem seu novo pico e juntos decidiram investir em um terreno que possibilitasse a construção de algumas casas. Dito e feito, os 5 inseparáveis argentinos que como Federico diz são “Um punho” (pois os 5 dedos das mãos simbolizam cada um dos amigos juntos), compraram uma área batizada de Alto Atins que hoje conta com 3 casas. De 2 anos pra cá resolveram abrir os imóveis para hospedar turistas que visitam o local. Quem administra o espaço é Federico, o único que vive por lá. O usufruto do que o local rende fica sob sua administração é reinvestido todo o tempo em melhorias.

Mas Federico foi mais além e resolveu retribuir com a pequena aldeia de pescadores que escolheu como lar. Empreendeu mais um projeto, dessa vez social, chamado “Eco Atins – mantendo limpo nosso paraíso”, juntou esforços com outros empreendedores locais e criou a primeira coleta seletiva do Maranhão. Pois é, Atins, apesar de minúscula, é a única localidade em todo o estado a coletar o lixo de forma seletiva... e haja lixo!! Como todo o local pequeno e muito afastado, há uma grande dificuldade para efetuar a remoção dos dejetos. O Eco Atins transformou o vilarejo, atuando com pulso firme no dia-a-dia e também nas escolinhas da comunidade; educando as crianças para uma vida mais consciente. Não é à toa que percebemos o quanto Federico é querido por lá...


Dois anos e pouco atrás, visitando seus parentes em Córboba, conheceu Sara, uma equatoriana que estava estudando moda em uma Universidade da região. Se apaixonaram. Por sincronicidade do destino, ela, que já havia morado em muitos lugares, tinha como foco passar sua próxima temporada no Brasil. Coincidência perfeita para que Sara partisse de mala e cuia para Atins. Hoje adaptada como se aquela vila sempre tivesse sido parte dela, recebe os clientes do Alto Atins e prepara jantares coletivos maravilhosos, servidos à luz de vela.

Os dois são felizes, mesmo distantes de sua cultura, família e amigos. Acreditam que a distância não separa os sentimentos e amor verdadeiros. Quanto ao futuro não sabem. E como Federico afirma “Faz 7 anos que me sinto maravilhado todos os dias, seja pela natureza ao meu redor, pela simplicidade das pessoas, pela vida que levo. O dia que perder isso saberei que é hora de partir.” Quando isso vai acontecer?! Talvez nunca. E que seja eterno enquanto dure.

Não importa se nos grandes centros ou numa vila de pescador, em Singapura ou no Jalapão, cada vez temos mais certeza de que cada um tem o seu lugar no mundo. Um lugar onde a alma pulsa, se maravilha e quer estar. Temos que confessar que nossas almas também pulsaram por lá... deu aquela vontadinha de ficar.

Por Luah Galvão
Fotos: Danilo Epaña


Idealizadores do projeto Walk and Talk, a atriz e apresentadora Luah Galvão e fotógrafo Danilo España, viajaram por mais de 2 anos e visitaram 28 países nos 5 continentes – para entender o que move, motiva e inspira pessoas das mais variadas raças, credos, culturas e cores. Saiba mais sobre o novo projeto #PELASRUAS

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