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terça-feira, 11 de agosto de 2015

A “desimportância” das redes sociais


Parece até que foi ontem que estávamos todos nós redescobrindo a interação dos relacionamentos na internet através do finado orkut. O que mudou até hoje com a multiplicação das redes sociais? Apesar de seu lado saudável, continuam roubando nosso tempo de forma bem sutil. Seja promovendo o consumismo ou até mesmo controlando o emocional da gente através da timeline, como constatado nas últimas pesquisas sobre comportamento humano nas redes. Mais malefícios que benefícios? Depende. As redes sociais estreitam” as relações nos dois sentidos. Podem unir e afastar. A questão é importância demasiada que damos a estas plataformas virtuais de comunicação. Te convido a dar um tempo na linha do tempo, pensar sobre a desimportância das redes sociais e até onde elas são fundamentais na sua vida.

Faz um pouco mais de dez dias que deixei cair meu smartphone no chão de modo que sua tela se estatelou e acabei ficando sem meu brinquedo para interagir nas redes sociais. Era um hábito acordar e dormir com uma toucheada básica no display para saber as novidades. Para não ficar sem contato, comprei um daqueles celulares baratos que só tem função de voz e SMS. Aqui na NZ não tem assistência da marca do meu aparelho e nem sei por quanto tempo mais ficarei sem o ditomal smartphone. Devo consertá-lo mais pra frente. O importante é que isso me fez refletir ao invés de querer ter um novo de última geração.

Como deixarei de ter sempre a mão as atualiazações do facebook? E se pintar uma ocasião legal pra fazer um selfie no instagram? E se eu precisar usar um daqueles apps mão na roda para fazer alguma coisa? Será que as pessoas vão pensar que estou as evitando porque deixei de responder o whatsapp na hora? Ou mesmo pensarão que algo aconteceu por diminuir a frequência de postagens na minha timeline? Quantas dúvidas! Pois é, isto mesmo, o que esta grande importância que atribuímos ao meio digital nos proporciona são dúvidas, muitas dúvidas. Nós nunca conseguiremos perceber as nuances reais dos relacionamentos na forma digital.

Em muitas noites que dormi em hostels aqui na Nova Zelândia, as pessoas sempre passavam mais de uma hora no celular deitadas na cama antes de dormir. Fuçando, postando e atrapalhando o sono de cada um com suas telinhas reluzentes na escuridão do quarto. Que urgência é esta de clicar a todo instante? Porque nossos momentos não podem ficar mais apenas em nossas memórias?

Já parou pra pensar nisso? Em quanto tempo você gasta com redes sociais, facebook, programinhas de bate-papo ao invés de simplesmente viver o momento sem foto, sem selfie, sem neuras de botãozinhos que pipocam na linha do tempo? Imagine quantos quilômetros você já rolou com o mouse na linha do tempo? E já pensou se essa quilometragem rodada fosse (de verdade) na estrada? Muita gente provavelmente já teria ido do Oiapoque ao Chuí. Ou pelo menos teria tempo e movimento suficientes para ir visitar um amigo em sua casa. Quem sabe até, parado pra bater um papo despretensioso com o vizinho ao invés de passar o tempo todo fazendo makeup de bits.

A enorme capacidade de enxergar dos nossos olhos, hoje focam muito mais tempo em uma telinha de pouco mais de 5 polegadas. Desse jeito que vai, damos uma importância tremenda a redes sociais, que se formam com menos consistência que uma teia de aranha, daquelas que se alimentam de moscas domésticas. Não seria bom estarmos mais na presença física, sentir mais os beijos, os cheiros, os abraços e apertos de mão? Vamos gastar mais saliva, mais sola de sapato e sentir o real e verdadeiro touch!


Rica Matsu
Escritor e agora tem um celular com MP3 que tem função de voz e até manda SMS


terça-feira, 4 de agosto de 2015

A simplicidade que faz valer a vida: de Córdoba para os Lençóis Maranhenses


Bom demais passar uns dias desconectados. Sem rede de celular, sem internet, sem água quente e sem luz algumas vezes, mas em troca, tivemos dias lindos de céu turquesa, noites estreladíssimas com uma lua-sorriso-de-gato, envoltos por rios de água doce e limpa, lagoas no meio de dunas, muito peixe fresco e plânctons no mar. São as compensações que só uma vida rústica pode nos presentear.

O descritivo sobre esse lugar pitoresco, não serve para despertar aquele sentimento de “Poxa, o que estou fazendo aqui que não estou lá...”, mas sim para entrar no espírito da nossa próxima história.

Federico, argentino de Córdoba, era um advogado de sucesso com uma vida estável e promissora. Sete anos atrás foi pra Atins de férias. Ao pisar lá descobriu o quanto era estressado, workaholic e estava deixando ser engolido pelo tempo. Ao conhecer aquele pequeno-paraíso-distante e desconectado do mundo, voltou a sentir algo que há muito não sentia: MARAVILHAMENTO. E foi esse sentimento simples mas absoluto, que o fez tomar a decisão de largar tudo no grande centro e mudar de peito aberto para o coração dos Lençois Maranhenses. Nos contou que nem lembrava há quanto tempo não sentia algo parecido, algo que em sua opinião, faz valer a vida.

Decisão tomada, demorou um ano para se organizar, encaminhar os processos e fazer sua mudança (um capítulo à parte pois móveis e objetos só chegam em Atins pelo Rio Preguiça ou pelas Dunas).


No início decidiu tirar um período sabático, apenas curtir as belezas e encantos do local. Mas logo a vontade de empreender apareceu. Convidou seus 4 melhores amigos para conhecerem seu novo pico e juntos decidiram investir em um terreno que possibilitasse a construção de algumas casas. Dito e feito, os 5 inseparáveis argentinos que como Federico diz são “Um punho” (pois os 5 dedos das mãos simbolizam cada um dos amigos juntos), compraram uma área batizada de Alto Atins que hoje conta com 3 casas. De 2 anos pra cá resolveram abrir os imóveis para hospedar turistas que visitam o local. Quem administra o espaço é Federico, o único que vive por lá. O usufruto do que o local rende fica sob sua administração é reinvestido todo o tempo em melhorias.

Mas Federico foi mais além e resolveu retribuir com a pequena aldeia de pescadores que escolheu como lar. Empreendeu mais um projeto, dessa vez social, chamado “Eco Atins – mantendo limpo nosso paraíso”, juntou esforços com outros empreendedores locais e criou a primeira coleta seletiva do Maranhão. Pois é, Atins, apesar de minúscula, é a única localidade em todo o estado a coletar o lixo de forma seletiva... e haja lixo!! Como todo o local pequeno e muito afastado, há uma grande dificuldade para efetuar a remoção dos dejetos. O Eco Atins transformou o vilarejo, atuando com pulso firme no dia-a-dia e também nas escolinhas da comunidade; educando as crianças para uma vida mais consciente. Não é à toa que percebemos o quanto Federico é querido por lá...


Dois anos e pouco atrás, visitando seus parentes em Córboba, conheceu Sara, uma equatoriana que estava estudando moda em uma Universidade da região. Se apaixonaram. Por sincronicidade do destino, ela, que já havia morado em muitos lugares, tinha como foco passar sua próxima temporada no Brasil. Coincidência perfeita para que Sara partisse de mala e cuia para Atins. Hoje adaptada como se aquela vila sempre tivesse sido parte dela, recebe os clientes do Alto Atins e prepara jantares coletivos maravilhosos, servidos à luz de vela.

Os dois são felizes, mesmo distantes de sua cultura, família e amigos. Acreditam que a distância não separa os sentimentos e amor verdadeiros. Quanto ao futuro não sabem. E como Federico afirma “Faz 7 anos que me sinto maravilhado todos os dias, seja pela natureza ao meu redor, pela simplicidade das pessoas, pela vida que levo. O dia que perder isso saberei que é hora de partir.” Quando isso vai acontecer?! Talvez nunca. E que seja eterno enquanto dure.

Não importa se nos grandes centros ou numa vila de pescador, em Singapura ou no Jalapão, cada vez temos mais certeza de que cada um tem o seu lugar no mundo. Um lugar onde a alma pulsa, se maravilha e quer estar. Temos que confessar que nossas almas também pulsaram por lá... deu aquela vontadinha de ficar.

Por Luah Galvão
Fotos: Danilo Epaña


Idealizadores do projeto Walk and Talk, a atriz e apresentadora Luah Galvão e fotógrafo Danilo España, viajaram por mais de 2 anos e visitaram 28 países nos 5 continentes – para entender o que move, motiva e inspira pessoas das mais variadas raças, credos, culturas e cores. Saiba mais sobre o novo projeto #PELASRUAS