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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Porque é importante ter os pés no chão



Escrevi um artigo anteriormente que falava sobre a conexão e pés descalços. O que seria o nosso isolamento com a terra. É como se os nossos sapatos emborrachados estivessem nos separando da natureza. Assim como na eletricidade, nós também precisamos de um aterramento para equilibrar as energias e descarregar os excessos.

Antes de vir para a Nova Zelândia ouvi dizer que havia pessoas que andavam descalças por todo lado: nas calçadas da cidade, no supermercado, na rua. Claro, que desconfiei logo. Como assim? Já imaginou você ir para o trabalho descalço? Sair de casa de pé no chão, pegar o ônibus e andar pelas ruas sentindo a temperatura do solo na sola dos pés. Parece loucura, coisa de doido!

 

Pois bem! Aqui em Wellington, capital da NZ, isso acontece mesmo!!! É fácil encontrar pessoas descalças andando nas ruas, inclusive quando faz frio. E não são pessoas sem condições; pessoas comuns andam livremente com pés pelados no asfalto! Ainda não tive oportunidade de saber mais detalhes sobre isso. O que posso dizer que isto é completamente normal por aqui. Não tem um dia que não saio de casa sem encontrar alguém descalço na rua.


As pessoas aqui tem uma ligação muito forte com o meio ambiente e com a natureza. Isto me fez refletir o quão conectados (literalmente) eles estão. Talvez seja por isso que valorizam tanto o bem-estar e não ligam para “o que está na moda” ou se preocupam em estar vestidos com as roupas ou calçados das marcas mais famosas. Semana passada, vi uma jovem bem vestida, com bolsa bonita, cabelo arrumado, bem apresentável como qualquer pessoa que se arruma para ir trabalhar, porém, descalça!


Definitivamente, isso é puro minimalismo. Dar importância a estar à vontade, sentindo-se bem com os pés livres, ao invés de ostentar marcas e vaidades como usar sapatos da moda que, a cada estação são considerados obsoletos e “fora da moda”. Uma incrível curiosidade daqui que nos faz pensar o quanto substituímos nossas raízes por coisas sintéticas que supostamente nos fazem bem.

Sem contato direto com a terra podemos ser eletrocutados a qualquer momento pelo fio desencapado do consumismo. Este sim é o maior choque de realidade. E aí? Quando foi a última vez que você caminhou descalço, sentiu a terra e se sentiu aterrado na natureza?


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Lições do Caminho de Santiago: deixar excessos e andar leve


O Caminho de Santiago não foi nossa primeira experiência carregando apenas o essencial. Na volta ao mundo – nosso primeiro projeto, experimentamos pela primeira vez o que é selecionar, triar e nos abastecer apenas com aquilo que realmente conseguimos levar em nas costas. Foram mais de 2 anos com apenas 15 quilos em cada mochila, e o que no início parecia uma quantidade tão pequena de coisas, com o passar do tempo se mostrou mais do que o necessário para viver no mundo.

Lembro bem do dia em que a equipe da Curtlo (marca de equipamentos de aventura que nos apoiou) avisou categoricamente que não podíamos exagerar no peso levado nas costas pois isso podia trazer uma série de complicações em nosso corpo. Eu, que até então sempre embarcava de férias com grandes malas, arrumadas sem critério algum, sabia o tamanho do desafio na hora de arrumar minhas coisas para a volta ao mundo. E foi extamante isso que aconteceu. Foram mais de 10 dias de mi mi mi para selecionar o que deveria ou não estar comigo na longa jornada. Confesso que foi um parto fazer meu mochilão. É claro que embarquei com a mochila quase explodindo… e é claro também que depois de 10 dias de jornada as peças excedentes foram sendo doadas pelo caminho. Assim foi ao longo da jornada, no regresso ao Brasil tínhamos apenas o essencial.

Percebemos o quanto somos acostumados ao sobrepeso. Estamos acostumados a carregar nas costas muito mais do que aguentamos, nos asfixiando de coisas, sentimentos e pensamentos que fazem a vida ficar bem mais pesada; em todos os sentidos!

Mas afinal, o que realmente precisamos e queremos carregar em nossas costas? O que realmente importa na bagagem da vida? Essa foi uma das maiores metáforas e lições aprendidas na volta ao mundo.


Foram mais de 2 anos tirando os quilos extras trazidos pela correria da vida, pelo acúmulo diário e rotineiro. Antes de viajar, por exemplo, carregava na bolsa 3 celulares, um pra cada operadora. Jurava estar fazendo economia. Economia?! Foi uma libertação não usar celular ao longo da viagem, uma desintoxicação eletrônica muito interessante.

Percebi também que carregava um peso imenso de mágoas e frustrações do passado, cujas lições já haviam sido absorvidas, mas seus fantasmas seguiam firmes e fortes sobrecarregando minhas costas e minha alma.

No Caminho de Santiago tivemos que nos superar mais uma vez. Nessa jornada a meta seria caminhar mais de 800km e mais uma vez a Curtlo nos aconselhou. Teríamos que conseguir o feito de carregar apenas 10% do peso do nosso corpo, caso contrário estaríamos lascados. Mas dessa vez o sofrimento foi bem menor, decidimos ir direto ao ponto, cortando todas as possibilidades de excesso. Passei a régua em todas as frescuras tipicamente femininas e consegui colocar na mochila o essencial do essencial. Feliz da vida, decolei para a Espanha com apenas 5,2 kg que lá ganhariam um acréscimo de mais um quilo e pouco com os últimos equipamentos comprados em solo espanhol.


Roupas levíssimas em pouca quantidade, uma boa bota e uma papete, alguns acessórios para dormir – igualmente leves, e uma mini-mini-mini necessaire. Nada de cremes para cabelo, maquiagens, loções, nada… No Caminho não valem excessos, temos que arcar com aquilo que escolhemos levar enfrentando o sol, as montanhas, o frio e os relevos da jornada. Os 52 dias no Caminho de Santiago esvaziaram mais uma vez a mente e alimentaram o espírito. Outra oportunidade para perceber que a vida requer muito menos do que imaginamos para ser felizes. Na simplicidade está um grande presente. Um banho quente no dia frio, o pé cansado repousando na água corrente do rio, a sombra frondosa de um castanheiro centenário, uma boa conversa de botequim, um copo de água pura no calor da jornada…


Nossa lição foi muito além do material. Chegamos a conclusão que nessa vida realmente podemos carregar apenas o necessário, aquilo que vale a pena, os sentimentos que fazem bem pra nossa alma. Os acúmulos podem ser aos poucos deixados de lado, em um processo de limpeza externa e interna. Me lembrei muito dos gregos helênicos que frequentavam periodicamente as termas e banhos públicos com a finalidade literal de “lavar a alma”, não apenas limpando o corpo físico como também o mental e o espiritual. Tinham assim a possibilidade de perceber e esvaziar os “sobrepesos”, incorporando essa “limpeza” em sua rotina. Porém o mundo foi se tornando tão veloz e o tempo tão escasso que fomos nos tornando frenéticos acumuladores, homens e mulheres de costas largas e mentes pesadas. Mais de 2 mil anos atrás o ser humano já sabia que esvaziar a bagagem era essencial para uma vida mais plena e harmônica.

Por Luah Galvão

Publicado no Blog O que te motiva/EXAME.com




Idealizadores do projeto Walk and Talk, a atriz e apresentadora Luah Galvão e fotógrafo Danilo España, viajaram por mais de 2 anos e visitaram 28 países nos 5 continentes – para entender o que move, motiva e inspira pessoas das mais variadas raças, credos, culturas e cores. Antes dessa jornada, já estudavam o tema “motivação” e agora que estão de volta ao Brasil compartilham suas descobertas através de textos  para esse e outros veículos de relevância, assim como em palestras e workshops por todo o Brasil. Descubra mais sobre o projeto: www.walkandtalk.com.br


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Destralha no mundo!


A partir do mês de novembro começa a jornada Destralha no mundo! Eu, Rica Matsu, o autor dessa bagaça, estou a caminho do país mais minimalista do globo: a Nova Zelândia! De lá, vou mostrar o que verdadeiramente significa o estilo de vida minimalista. O que é este novo jeito de viver que tanto falo por aqui. Você vai saber afinal o que é esse tal de desapego consciente.

Destralha no Mundo é a jornada que vai buscar os exemplos de simplicidade mundo afora e trazer isso para o conhecimento de todos nós. E nada de "segundo especialistas". Será como aqui no portal, todo o conteúdo é vivência descrita. Na prática, empírica! Vou encarar os mais diversos desafios de destralhamento: coisas materiais, medos, hábitos e superação de limites.

Se me perguntarem se estou pronto para isso, a resposta é não. Logo de cara, estou indo sem saber falar inglês. Vou aprender lá. E este é o primeiro desafio. Aprender uma nova língua é um caminho sem volta que leva a várias portas abertas por aí. A cada porta aberta uma nova oportunidade de viver a vida como deve ser, e celebrar o que ela tem de bom a nos oferecer. É como diz aquela máxima: "o que importa é o caminho e não o destino". E durante o caminho nunca estamos realmente preparados. Estar preparado é como saber do final de um filme sem tê-lo assistido.

Quero mostrar um novo jeito de viver que vai além do consumismo, além do nosso ego e além do que achamos que é o nosso limite. Infelizmente, muitos de nós aqui no Brasil construímos nossas vidas sobre um alicerce chamado zona de conforto sem conseguir ver mais nada além disso. A grande maioria prefere levantar mais uma parede de tijolos ao invés de deixar espaço para enxergar o horizonte. Fui muito tempo assim e agora quase todas as paredes já foram demolidas.

Além dos textos e relatos, vídeos vão alimentar o portal na medida dos acontecimentos. Convido você a curtir comigo esta jornada diretamente da Nova Zelândia para o Brasil! Em novembro, aguarde!

Pule do bungee jump da vida, sem cordas! Ela é segura, se jogue em suas mãos.