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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Minimalistas em ação! - Paula Quintão


"Como o minimalismo me faz viver com o mínimo
para sentir o máximo."




Paula Quintão é escritora, montanhista-viajante, mestre pela UFMG, doutoranda pela UFAM, paraquedista, mãe da adolescente Clara, fundadora da Equipar para Vencer.


O QUE O MINIMALISMO TE TROUXE DE BOM?

Simples: uma vida sem complicações. Como o minimalismo me faz viver com o mínimo para sentir o máximo
Por Paula Quintão

Se há 10 anos alguém tentasse argumentar comigo sobre ser possível ser feliz com apenas o que cabe em uma mochila eu não acreditaria, acharia que era conversa furada das boas.

Mas acontece que o mundo da voltas e se tem uma coisa que é certa nessa vida é que estamos em constante processo de aprendizado e transformação.

Pois eu aprendi e muito.

Nesse meio tempo, houve um dia, vivendo a cura de uma crise emocional terrível graças a um relacionamento amoroso que tinha ido por água abaixo, que percebi que tudo o que eu queria era subir uma montanha, chegar lá em cim e chorar muito as dores daquela decepção e de tantas outras superações da minha vida.

Pois eu, que de esportista nunca tive nada, comprei meus equipamentos de trilha, entre eles uma mochila em que caberia tudo o que eu usaria nos oito dias de expedição e uma bota que me levaria pelos caminhos que eu quisesse.

Eu mal podia esperar pela viagem. Ficava me perguntando mil vezes: será que eu vou conseguir caminhar tantos quilômetros por tantos dias?! Será que vou ficar bem tomando banho no rio e com um grupo de pessoas que eu nunca vi?! Será que vou esquecer alguma coisa importante fora da bagagem?! Será que vou conseguir superar a ausência do banheiro e usar o mato numa boa?! E como vai ficar meu corpo dormindo uma semana na barraca?! Será?! Será?!

Mil perguntas rondavam minha mente e minha sensação de estar fora do casulo foi constante por dias antes da viagem. Mas aí chegou o grande dia e quando meu grupo de totais desconhecidos desembarcou frente a frente com o Monte Roraima, na aldeia indígena de Paraitepuy na Venezuela, eu só pude respirar fundo diante da imensidão daquele Gigante na minha frente e pensar: só me resta dar um passo de cada vez e chegar ao topo dessa montanha. E assim o fiz.

E de um passo após o outro, três dias depois eu não só estava no topo da montanha pensando no quanto aquele mundo visto lá do alto era incrível e sobre quanto cada passo nos leva longe, como já tinha descoberto que era possível viver num estado de felicidade suprema com tão poucas coisas.

Eu não tinha meu vaso sanitário mágico, não tinha meu banho quente que adoro mesmo em dias quentes de Manaus, não tinha computador, luz elétrica, celular, não tinha nenhum calçado além da minha bota e da minha sandália papete, não tinha comidas de bons restaurantes nem mesmo bem temperadas, mas eu estava irradiando felicidade.

Era feliz por tudo. Vivia o momento plenamente. Nada me preocupava, eu só me ocupava em manter meu corpo em movimento, superar os obstáculos, aproveitar o caminho e agradecer pela fantástica experiência.

Depois daquela expedição, minha vida nunca mais voltou ao mesmo lugar, meu olhar nunca mais foi o mesmo.

Descobri, de uma maneira mágica, que não são as coisas e nem mesmo as pessoas que me cercam que me fazem feliz, sou eu mesma no contato pleno com a experiência do agora que construo a minha realidade ao direcionar o meu pensamento para aquilo que quero priorizar. E sei que para conseguirmos viver a experiência única do AGORA só mesmo se não estivermos carregando tanta coisa com a gente.

Para viver plenamente o AGORA é preciso simplicidade, ou seja, menos laços e emaranhados, que é isso que a origem da palavra que dizer (simples = sem laços = descomplicado). Para viver plenamente o AGORA é preciso seguir leve...

Seguir leve é seguir com menos coisas - porque quanto menos coisas temos, menos tempo precisamos dedicar à manutenção de tudo. Seguir leve é seguir desapegado - porque não importa o que você perde materialmente, no fim das contas você e sua essência continuarão até o fim de sua existência.

E nesse caminho do minimalismo, tendo menos para sentir mais, descobri um mundo de possibilidades que só fizeram da minha vida uma vida melhor e mais conectada com o que sou, com o que o outro é e com o que o universo é.

Ao escolher ter menos coisas eu faço a escolha também por valorizar mais o que vai no interior e não o que vai no exterior. Eu entro em sintonia com a essência das pessoas e esqueço o que elas carregam consigo também.

Sigo em frente sem pressa, investindo meu precioso tempo, esse bem que não está à venda nem na mais luxuosas das vitrines, em aprender e conhecer , em experimentar e aprimorar meus olhares do que em ter, ter, ter. O ser completo e integral, pleno em leveza, pode então reinar na minha vida.


Encontre ferramentas para ir além aqui    www.equiparparavencer.com.br

2 comentários:

Rafael disse...

O que pode ser considerado nosso?
Carros não nos pertencem, tampouco casas.
Segundo Buda, sequer temos um corpo..somos um.
Quando deixamos de mirar o externo, viramos nossos olhos para nosso interior, e passamos a observar o que realmente importa: a luz que irradia de nós. Isso sim nos pertence. Mas só se a alimentarmos.

Rica Matsu disse...

Bem assim mesmo, Rafael, "sequer temos um corpo". Um dos motivos que me fizeram deixar de "ter" um carro, por exemplo, é o fato do auto engano de que se é dono de uma coisa. E na realidade acabamos virando escravos de desses "pertences". Hoje mesmo, estava eu dentro do ônibus observando uma via onde o engarrafamento tinha parado tudo e quem estava a pé, transitava pelo local livremente. Enquanto os motorizados se estressavam e ainda teriam que arrumar onde estacionar.

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