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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Você sabe o que é Egrégora?


Você sabe o que significa o termo Egrégora? Dizem que é um termo do espiritismo, outros falam que é maçônico. O que é certo é que é um termo muito específico e complexo. Talvez seja esse o motivo do desconhecimento de sua existência. E apesar disso vivemos constantemente imersos em Egrégoras. Saber o que significa uma Egrégora vai te ajudar a destralhar algumas crenças limitantes. E entender o que rege a realidade de nossas vidas; os acasos e as coincidências do destino.

E como a ideia aqui é simplificar as coisas, vou tentar expor seu significado, tão subjetivo, de forma clara. Egrégora é nada mais que o somatório do "acreditar" de cada pessoa. Os "produtos matemáticos" gerados formam determinadas quantidades de energia que atuam no universo. Cada pessoa que se junta a determinada Egrégora faz ela se tornar maior e mais forte, tornando-se a realidade em primeira instância. Explico.

Vou usar como exemplo o nosso grande dilema desde 500 anos atrás: o "Jeitinho Brasileiro". A maioria dos brasileiros acreditam que existe sim o jeitinho brasileiro, e claro, exemplos reais acontecem a todo instante. Uma minoria acredita que é um simples bug do sistema e não da a mínima atenção pra isso. De 203,5 milhões de brasileiros, quantos você acha que acreditam na existência do famigerado jeitinho? Digamos que 203 milhões de pessoas acreditam e os outros meio milhão não.

A força, a crença e a ação dessas pessoas, formam o que é chamado de Egrégora. No nosso exemplo acima, a primeira por ser maior materializa o jeitinho fazendo com que ele se torne até um hábito cultural. Já a segunda - bem menor - que está pouco se lixando pra isso, acaba participando da realidade materializada pela maior. É aí que está localizado o imbróglio! Cada ser humano é uma energia, como no filme Matrix. A grosso modo: uma bateria, uma pilha. É simples. Quando maior a Egrégora, maior a energia que trabalha para a criação do que quer que seja. O velho ditado que a união faz a força. Porém, visto de uma forma quântica e na prática. Sem misticismo ou crenças sobrenaturais.

Isto vale para tudo: sucesso, fracasso, relacionamentos, religião, política, saúde, um sentimento isolado, qualquer outro tema. Outro exemplo é aquela geração de mulheres que vivem sobre o conceito de que todo homem "não presta" continua a perpetuar isso na realidade, isoladamente em um pequeno grupo, ou até mesmo num grupo de Egrégora formada por pessoas situadas geograficamente nos diversos locais pelo mundo. Agora, quanto mais presença física maior a intensidade desta energia!

Egrégora é o oposto de Destino, o resultado coletivo da presença. Pode ser aquele "não consigo ter controle sobre isso na minha vida". Consciente ou não, se a maioria está conectada com a miséria, todo mundo estará vivendo a miséria. Se a maioria estiver conectada na abundância, todo mundo estará vivendo em abundância. Sob que influências você pode estar vivendo agora, nesse instante? Eis a pergunta! E em 2015 quais Egrégoras você estará participando, co-criando ou mantendo através da sua energia? Te convido a refletir sobre isso e quem sabe a criar ou transmutar suas próprias Egrégoras.

Boas festas e Feliz Ano Novo! Destralha o que você precisa para melhorar a sua vida e ser mais feliz!

Te vejo em outra vida! ;)
Rica

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?


Assumo. Tenho uma grande dificuldade de dizer eu te amo. Acredito que muita gente tem. Dizer eu te amo para seus pais, seu amor, seus amigos, para um irmão, quem sabe até mesmo para os filhos. O significado do amor é muito controverso nos dias atuais. Ama-se sob condições. Não se ama para não apresentar um atestado de vulnerabilidade. Finge-se não amar para evitar ao máximo uma possível rejeição. Porque é tão difícil dizer do coração "Eu te amo"?

Poderia ser o instinto animal nos protegendo dos sofrimentos, talvez. Mas os bichos devem amar incondicionalmente, se é que dá pra dizer algo do tipo. Alguns vivem com seus filhos até a morte, outros o rejeitam assim quando nascem. Inclusive se um rebento nasce com algum tipo de defeito. Gosto de fazer comparações com os animais porque eles mantêm intactos os segredos e as nuances da natureza. E tirando o nosso caráter racional, somos apenas mais uma espécie de ser, que se reproduz ao longo da vida.

O fato é que amar se tornou a coisa mais complexa da atualidade. Quantas condições nós impomos para que isso se concretize! Quantas regras estabelecemos para que amar seja uma troca! Contratos, certidões de posse, certificados de aptidão. Quantos parâmetros, quantas comparações nos fazem mostrar ou retrair nosso amor. Os livros, as religiões, as figuras de autoridade que se intitulam mensageiros do amor existem desde os primórdios, com suas "cartilhas" sobre como amar o próximo; sobre o que fazer para que um amor seja verdadeiro; o que é preciso para se viver um grande amor.

Fazem de tudo para categorizar e enquadrar o amor. Classificações, tipos variados, rankings! Amor não é, nunca foi e nunca será uma instituição. Não existem regras nesse jogo. Não existem campos gramados e milimetricamente sob medida para atuar e não ultrapassar certos limites. Existe apenas um sentir. Existe apenas a desobediência natural do coração! E o coração não se modernizou. Apesar da sua perspicácia, ainda é um primata. E quando estamos querendo controlá-lo é como se disséssemos ao King Kong para caminhar sobre ovos com cuidado, para não quebrar.

O amor se tornou tão complexo que se desdobrou em ciúme, inveja, doenças da cabeça e do próprio coração. Um psicólogo me falou uma vez que todo "tipo" de amor, seja de mãe, de namorada, de filho, de amigo, e até de bicho, é tudo a mesma coisa. E ficamos buscando preencher as lacunas do amor perambulando entre essas vertentes. Será que ele tinha razão? É uma visão interessante.

A dificuldade no dizer eu te amo vem daí, desta complexidade criada pela nossa razão. Já foi simples amar. Creio que ainda é. Nós é que tornamos tudo complicado demais. E simples não quer dizer fácil. Ao contrário, simplificar o que já foi simples é muito difícil. E aqui está o desafio do destralha! E enquanto a gente tenta fazer baliza com nosso amor, fica uma pergunta no ar, como na música da Legião Urbana: E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

(NÃO) Pare de sofrer!


A gente quer evitar o sofrimento a todo custo. Chorar pode parecer vergonhoso então aguenta-se calado. Se expor pode ser um grande martírio e aí guardamos as coisas só para si. Quem sabe, por medo de sofrer não entramos mais profundamente num relacionamento. E nem precisa ser amoroso, até mesmo se abrir para alguém como um amigo gera uma certa possibilidade de sofrer por se mostrar vulnerável. O que implica em possibilidades inevitáveis de sofrimento. Acaba que nunca conseguimos estreitar os laços como deve ser, ou seja, naturalmente. E se você pensa que pode parar de sofrer, como prega algumas religiões, me desculpe se estraguei sua festa, mas isto é impossível.

Direto ao ponto. Se sente  uma dor de cabeça você sofre, certo? É simplesmente a mesmíssima coisa para tudo! A dor é um aviso. O sofrimento é uma placa dizendo: Vire à direita. Cruzamento perigoso. Atenção, curva sinuosa. E se não prestou atenção nas placas pelo caminho, aparecem painéis de led piscando pra que você tome consciência da situação. E se mesmo assim você insistir em negligenciar, uma autoridade divina envia um agente para poder forçar você a tomar alguma providência. 

O problema é que não entendemos isso. Não queremos aparecer fracos diante das pessoas, diante do mundo e principalmente de si mesmo. Mas o que não é o ser humano senão um ser completamente vulnerável? Um simples vírus invisível a olho nu pode te deixar de cama por semanas. O ser humano é como poucos animais que, logo após nascer, se não tiver ninguém pra cuidar, morre ao relento. Qualquer outro animal depois que nasce já sai andando ou se vira sem cuidados especiais.

Sofrer faz parte da perfeição que acreditamos existir. Quando se sofre a vida está sendo seu best best best friend te dizendo para que cuide mais de si mesmo. Se a gente parasse de sofrer talvez não teríamos a chance de consertar as coisas, ou nunca saberíamos o seu verdadeiro valor. Pense agora o quanto você já aprendeu sofrendo ao longo de sua vida. E como cada placa dessas evitou algum possível acidente durante a estrada. Inclusive que algo ruim se repetisse.

Quando penso em algum jeito de destralhar o sofrimento não é sobre como não sofrer. É sobre expor o que incomoda para que isso vá para fora e se transforme. Porque o sofrimento externo é apenas o reflexo do que vem de dentro. Se ele não está mais no interior não vai se refletir em lugar algum no exterior. Parar o sofrimento é ficar mais tempo com ele. Hoje não paro sofrimento, deixo ele passar. Aceito-o, quando ele vem e não o guardo mais dentro de mim. Pois ele é um ser completamente confiável te oferecendo alternativas e indicando a melhor direção. Só que ele precisa passar; ele está só de passagem. E aí você pode perguntar quanto ao sofrimento da humanidade... Não seria apenas a soma dos reflexos interiores guardados dentro de cada um de nós?

sábado, 6 de dezembro de 2014

Destralha amanhã!


Aqui no destralha gosto muito de falar sobre viver e estar no presente, na presença. Aquele estado de iminência, onde você experimenta não se preocupar tanto ou criar expectativas sobre o futuro. Muitas pessoas se orgulham por procurar uma solução para cada coisa que acontece na hora que elas acontecem. Justamente com o objetivo de resolver o quanto antes e dar prosseguimento ao estado da "presença no presente". Isso é bom! Agora, existem casos em que o melhor a fazer é tomar uma decisão no amanhã.

Acredito que viver no agora é sim a melhor opção para que a gente consiga ser naturalmente mais feliz em tudo. Porém, existe um apego que é quase despercebido na nossa vida de querer "nunca deixar nada pra depois". É o se apegar na urgência. Quero agora. Precisa ser hoje. Não durmo se não resolver. Não sei se estarei vivo amanhã? Estamos desafiando a vida a todo momento mesmo sabendo que há momentos em que decidir "agir já" não é suficiente para resolver uma situação.

Calma, calma, tudo vai ficar bem! Quando alguém diz isso pra nós parece uma afronta, né? Porque queremos sempre estar com a razão. Porque temos pressa de resolver algo para evitar possíveis sofrimentos. Mas a questão é que por mais que façamos algo, por mais força e dedicação que se possa investir, existe uma ação que não vai acontecer: a parte da ação que é feita pela vida e não por você. E é aí que a gente pode tomar consciência do hiato que permite esfriar nossos músculos e neurônios para deixar que ela, a Vida, resolva tudo ou nos ajude a tomar as decisões certas.

A proposta desse texto é destralhar a urgência das coisas. Destralhar a mania de querer estar no controle de tudo a todo momento. Nosso ego quer sempre ter a razão, dar a palavra final, não deixar qualquer tipo de pendência e quer que tudo aconteça logo. Ele é o medo de sofrer. Por isso quer antecipar tudo. Quando estamos preocupados com o que pode acontecer, começamos um looping de ansiedade. Que tal parar nossa busca de solução por um dia? Ao se deparar com uma situação em que te exige uma solução "imediata" deixe isso para amanhã.

Isso mesmo! Conte 24 horas para tomar uma decisão e durante esse tempo vá fazer outras coisas e depois de um dia volte a pensar sobre a questão. Experimente deixar que a vida te traga uma resposta ou apenas te forneça uma luz. Não apresse-a. Ela vai fazer a parte dela. Ela sempre faz. Olha aí a grande aliada que nós temos! E para sempre! 


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Porque é importante ter os pés no chão



Escrevi um artigo anteriormente que falava sobre a conexão e pés descalços. O que seria o nosso isolamento com a terra. É como se os nossos sapatos emborrachados estivessem nos separando da natureza. Assim como na eletricidade, nós também precisamos de um aterramento para equilibrar as energias e descarregar os excessos.

Antes de vir para a Nova Zelândia ouvi dizer que havia pessoas que andavam descalças por todo lado: nas calçadas da cidade, no supermercado, na rua. Claro, que desconfiei logo. Como assim? Já imaginou você ir para o trabalho descalço? Sair de casa de pé no chão, pegar o ônibus e andar pelas ruas sentindo a temperatura do solo na sola dos pés. Parece loucura, coisa de doido!

 

Pois bem! Aqui em Wellington, capital da NZ, isso acontece mesmo!!! É fácil encontrar pessoas descalças andando nas ruas, inclusive quando faz frio. E não são pessoas sem condições; pessoas comuns andam livremente com pés pelados no asfalto! Ainda não tive oportunidade de saber mais detalhes sobre isso. O que posso dizer que isto é completamente normal por aqui. Não tem um dia que não saio de casa sem encontrar alguém descalço na rua.


As pessoas aqui tem uma ligação muito forte com o meio ambiente e com a natureza. Isto me fez refletir o quão conectados (literalmente) eles estão. Talvez seja por isso que valorizam tanto o bem-estar e não ligam para “o que está na moda” ou se preocupam em estar vestidos com as roupas ou calçados das marcas mais famosas. Semana passada, vi uma jovem bem vestida, com bolsa bonita, cabelo arrumado, bem apresentável como qualquer pessoa que se arruma para ir trabalhar, porém, descalça!


Definitivamente, isso é puro minimalismo. Dar importância a estar à vontade, sentindo-se bem com os pés livres, ao invés de ostentar marcas e vaidades como usar sapatos da moda que, a cada estação são considerados obsoletos e “fora da moda”. Uma incrível curiosidade daqui que nos faz pensar o quanto substituímos nossas raízes por coisas sintéticas que supostamente nos fazem bem.

Sem contato direto com a terra podemos ser eletrocutados a qualquer momento pelo fio desencapado do consumismo. Este sim é o maior choque de realidade. E aí? Quando foi a última vez que você caminhou descalço, sentiu a terra e se sentiu aterrado na natureza?


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Lições do Caminho de Santiago: deixar excessos e andar leve


O Caminho de Santiago não foi nossa primeira experiência carregando apenas o essencial. Na volta ao mundo – nosso primeiro projeto, experimentamos pela primeira vez o que é selecionar, triar e nos abastecer apenas com aquilo que realmente conseguimos levar em nas costas. Foram mais de 2 anos com apenas 15 quilos em cada mochila, e o que no início parecia uma quantidade tão pequena de coisas, com o passar do tempo se mostrou mais do que o necessário para viver no mundo.

Lembro bem do dia em que a equipe da Curtlo (marca de equipamentos de aventura que nos apoiou) avisou categoricamente que não podíamos exagerar no peso levado nas costas pois isso podia trazer uma série de complicações em nosso corpo. Eu, que até então sempre embarcava de férias com grandes malas, arrumadas sem critério algum, sabia o tamanho do desafio na hora de arrumar minhas coisas para a volta ao mundo. E foi extamante isso que aconteceu. Foram mais de 10 dias de mi mi mi para selecionar o que deveria ou não estar comigo na longa jornada. Confesso que foi um parto fazer meu mochilão. É claro que embarquei com a mochila quase explodindo… e é claro também que depois de 10 dias de jornada as peças excedentes foram sendo doadas pelo caminho. Assim foi ao longo da jornada, no regresso ao Brasil tínhamos apenas o essencial.

Percebemos o quanto somos acostumados ao sobrepeso. Estamos acostumados a carregar nas costas muito mais do que aguentamos, nos asfixiando de coisas, sentimentos e pensamentos que fazem a vida ficar bem mais pesada; em todos os sentidos!

Mas afinal, o que realmente precisamos e queremos carregar em nossas costas? O que realmente importa na bagagem da vida? Essa foi uma das maiores metáforas e lições aprendidas na volta ao mundo.


Foram mais de 2 anos tirando os quilos extras trazidos pela correria da vida, pelo acúmulo diário e rotineiro. Antes de viajar, por exemplo, carregava na bolsa 3 celulares, um pra cada operadora. Jurava estar fazendo economia. Economia?! Foi uma libertação não usar celular ao longo da viagem, uma desintoxicação eletrônica muito interessante.

Percebi também que carregava um peso imenso de mágoas e frustrações do passado, cujas lições já haviam sido absorvidas, mas seus fantasmas seguiam firmes e fortes sobrecarregando minhas costas e minha alma.

No Caminho de Santiago tivemos que nos superar mais uma vez. Nessa jornada a meta seria caminhar mais de 800km e mais uma vez a Curtlo nos aconselhou. Teríamos que conseguir o feito de carregar apenas 10% do peso do nosso corpo, caso contrário estaríamos lascados. Mas dessa vez o sofrimento foi bem menor, decidimos ir direto ao ponto, cortando todas as possibilidades de excesso. Passei a régua em todas as frescuras tipicamente femininas e consegui colocar na mochila o essencial do essencial. Feliz da vida, decolei para a Espanha com apenas 5,2 kg que lá ganhariam um acréscimo de mais um quilo e pouco com os últimos equipamentos comprados em solo espanhol.


Roupas levíssimas em pouca quantidade, uma boa bota e uma papete, alguns acessórios para dormir – igualmente leves, e uma mini-mini-mini necessaire. Nada de cremes para cabelo, maquiagens, loções, nada… No Caminho não valem excessos, temos que arcar com aquilo que escolhemos levar enfrentando o sol, as montanhas, o frio e os relevos da jornada. Os 52 dias no Caminho de Santiago esvaziaram mais uma vez a mente e alimentaram o espírito. Outra oportunidade para perceber que a vida requer muito menos do que imaginamos para ser felizes. Na simplicidade está um grande presente. Um banho quente no dia frio, o pé cansado repousando na água corrente do rio, a sombra frondosa de um castanheiro centenário, uma boa conversa de botequim, um copo de água pura no calor da jornada…


Nossa lição foi muito além do material. Chegamos a conclusão que nessa vida realmente podemos carregar apenas o necessário, aquilo que vale a pena, os sentimentos que fazem bem pra nossa alma. Os acúmulos podem ser aos poucos deixados de lado, em um processo de limpeza externa e interna. Me lembrei muito dos gregos helênicos que frequentavam periodicamente as termas e banhos públicos com a finalidade literal de “lavar a alma”, não apenas limpando o corpo físico como também o mental e o espiritual. Tinham assim a possibilidade de perceber e esvaziar os “sobrepesos”, incorporando essa “limpeza” em sua rotina. Porém o mundo foi se tornando tão veloz e o tempo tão escasso que fomos nos tornando frenéticos acumuladores, homens e mulheres de costas largas e mentes pesadas. Mais de 2 mil anos atrás o ser humano já sabia que esvaziar a bagagem era essencial para uma vida mais plena e harmônica.

Por Luah Galvão

Publicado no Blog O que te motiva/EXAME.com




Idealizadores do projeto Walk and Talk, a atriz e apresentadora Luah Galvão e fotógrafo Danilo España, viajaram por mais de 2 anos e visitaram 28 países nos 5 continentes – para entender o que move, motiva e inspira pessoas das mais variadas raças, credos, culturas e cores. Antes dessa jornada, já estudavam o tema “motivação” e agora que estão de volta ao Brasil compartilham suas descobertas através de textos  para esse e outros veículos de relevância, assim como em palestras e workshops por todo o Brasil. Descubra mais sobre o projeto: www.walkandtalk.com.br


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Destralha no mundo!


A partir do mês de novembro começa a jornada Destralha no mundo! Eu, Rica Matsu, o autor dessa bagaça, estou a caminho do país mais minimalista do globo: a Nova Zelândia! De lá, vou mostrar o que verdadeiramente significa o estilo de vida minimalista. O que é este novo jeito de viver que tanto falo por aqui. Você vai saber afinal o que é esse tal de desapego consciente.

Destralha no Mundo é a jornada que vai buscar os exemplos de simplicidade mundo afora e trazer isso para o conhecimento de todos nós. E nada de "segundo especialistas". Será como aqui no portal, todo o conteúdo é vivência descrita. Na prática, empírica! Vou encarar os mais diversos desafios de destralhamento: coisas materiais, medos, hábitos e superação de limites.

Se me perguntarem se estou pronto para isso, a resposta é não. Logo de cara, estou indo sem saber falar inglês. Vou aprender lá. E este é o primeiro desafio. Aprender uma nova língua é um caminho sem volta que leva a várias portas abertas por aí. A cada porta aberta uma nova oportunidade de viver a vida como deve ser, e celebrar o que ela tem de bom a nos oferecer. É como diz aquela máxima: "o que importa é o caminho e não o destino". E durante o caminho nunca estamos realmente preparados. Estar preparado é como saber do final de um filme sem tê-lo assistido.

Quero mostrar um novo jeito de viver que vai além do consumismo, além do nosso ego e além do que achamos que é o nosso limite. Infelizmente, muitos de nós aqui no Brasil construímos nossas vidas sobre um alicerce chamado zona de conforto sem conseguir ver mais nada além disso. A grande maioria prefere levantar mais uma parede de tijolos ao invés de deixar espaço para enxergar o horizonte. Fui muito tempo assim e agora quase todas as paredes já foram demolidas.

Além dos textos e relatos, vídeos vão alimentar o portal na medida dos acontecimentos. Convido você a curtir comigo esta jornada diretamente da Nova Zelândia para o Brasil! Em novembro, aguarde!

Pule do bungee jump da vida, sem cordas! Ela é segura, se jogue em suas mãos.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Já desrotulou alguém hoje?


Quando criança eu costumava arrancar todos os rótulos dos vidros de Toddy, sim, eram vidros! Qualquer garrafa, lata ou vidrinho. Lá estava eu arrancando todos os papéis para o destemperamento da minha mãe. Crianças são todas assim, não gostam de rótulos. Então crescemos e aprendemos a rotular tudo. Fulano é chato, ciclano é assim ou assado. É frequente darmos um rótulo para alguém que nem sequer conhecemos, pelo simples fato de um amigo apresentar este rótulo para nós. Pode até ser o jeito de tentar identificar as pessoas, mas está mais próximo de uma maneira de as julgarmos. E acabamos por não conhecê-las de verdade ou cria-se apenas aquela relação superficial, onde os rótulos parecem evitar um atentado ao pudor, pois pode não ser muito cômodo ver as pessoas nuas na nossa frente.

Quase sempre o que vem na embalagem não condiz com a realidade do produto. Assim como a gente também. Em geral, começamos a julgar a partir do primeiro contato. É o impacto da comunicação visual. As aparências, nosso cartão de visitas. Se gostamos ou não, isso define se vamos estabelecer uma conexão mais profunda com  a pessoa, com o que ela é de verdade; ou optar pelo contato superficial, o que mais acontece hoje. Concorrência, posição de defensiva, medo, subestimação. Isso tudo incentiva a nossa impressorazinha de rótulos interna.

Enquanto os rótulos vão sendo impressos a todo momento, os relacionamentos se mantêm ali na margem, na superfície. Preocupados com a embalagem, o conteúdo fica em segundo plano. Onde fica a profundidade? Está cada vez mais difícil de chegar lá. Não é confortável. É preciso mais tempo, e uma vez entrando em águas profundas é mais difícil de sair. Exige mais habilidades. A conexão mais profunda nos mostra várias belezas internas. Podemos viver momentos de verdadeiro significado com nossos conhecidos, parentes e amigos. Até mesmo com a família - principalmente. Uma relação em um primeiro contato sem julgamentos, rótulos ou preconceitos pode nos fornecer uma relação espontânea e duradoura. Válida e verdadeira.

Há alguns anos conheci uma garota através de um grupo de amigos. Não conversávamos direito. Todas as vezes que nos encontrávamos ela sempre me olhava com cara fechada, cara de não suporto esse garoto. Talvez minha aparência de vocalista de banda tenha passado a impressão de arrogante ou de metido a besta. Isso acontece muito com tímidos também. Elis Regina antes de conhecer Milton Nascimento o achava um idiota. Ele sempre passava por ela evitando olhar na cara; era apenas timidez. São sempre eles: o preconceito, a julgamento, o estereótipo. Depois de um certo tempo de convivência a garota acabou me conhecendo "depois da margem" e então saímos para um belo dia de sol a conversar e nos tornamos amigos. Ela me disse assim: Eu tinha nojo da sua cara, mas depois que te conheci melhor apaguei toda essa imagem

Tenho a "impressão" que a publicidade contribui ainda mais para essa história de rótulos. Deve ser o mal da geração AXE - A primeira impressão é a que fica! Isso tornou-se uma regra inventada por nós adultos. Agora repare nas crianças. Elas não tem isso. A regra é conviver, confiar e se relacionar de forma espontânea. Todo mundo sempre diz que gostaria de voltar a ser criança. Já que não podemos voltar, quem sabe brincar mais com ela dentro de nós mesmos. Ela está lá. Mais madura, porém com o mesmo jeito leve de ser, com as mesmas brincadeiras. Inclusive a de arrancar os rótulos.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Estou velho demais pra isso!


Destralha o pensamento da velhice! Quem nunca ouviu seu amigo ou amiga falar que está velho demais pra isso ou aquilo? O que é exercer o bendito verbo "estouvelhodemaispraisso"? Parece que o desânimo chega cada vez mais cedo nas pessoas. Novas gerações, milkgeneration, já estão se sentindo cansadas, morgadas e velhas. Ninguém fica velho demais para viver.

Uma vez fui ao psicólogo e ele me disse que eu estava com cabeça de 50 anos. Em plenos 30! Até eu mesmo acreditava nisso. Meu corpo estava saudável mesmo após a mudança de metabolismo. Tenho uma saúde bem resistente e faço atividades físicas com frequência. Então porque será que ele me disse eu já estava a caminho da cadeira de balanço? A mente e nada mais. Manter velhos pensamentos, preservar sempre os mesmos hábitos é como consumir produtos vencidos. Se nunca passou mal, pode vir a passar.

Quando somos crianças, como nossos olhos são brilhantes! E a medida que acumulamos conhecimento, esse brilho vai sendo ofuscado. Vai caindo a porcentagem até a beira da escala de cinza. Mas ter muito conhecimento não é bom? Depende. Existe uma busca exacerbada de saberes no mundo moderno que é estimulada pela concorrência. E não é apenas conhecimento intelectual. Alguém que vive consumindo coisas desnecessárias está instruindo seu ego para se sair bem na prova dos quem tem mais e melhor.

A tal da Zona de Conforto é a melhor amiga desses candidatos a um lugar no podium do Mausoléu. Dizem que é sempre tarde para aprender uma coisa nova, que as viagens cansam só de pensar no trajeto. Ônibus enjoa, as pernas cansam de andar; até pequenos trechos. Se você vê televisão, me desculpe, é "coisa de velho". Não pelo aparelho em si, mas pelo conteúdo indiscriminado que empurram goela abaixo. Já viu alguma criança cheia de energia ficar parada na frente da televisão discutindo sobre o debate presidencial?

Eles estão lá fora brincando, correndo, caindo e se levantando. Cortando os pés na grama, fazendo um curativo meia-boca, e voltando a brincar de pega-pega. Estão jogando, brigando e depois de cinco minutos fazendo as pazes. Daqui a pouco eles crescem, tornam-se adolescentes e vão amar sem limites, com intensidade. Sim, eles pensam que são os donos do mundo. E quem sabe não são? Descobrem o sexo. Como ninguém, eles sentem a energia de como é fazer algo pela primeira vez. É uma mistura êxtase e inocência. E isso não tem nada a ver com amadurecimento. Ser maduro demais talvez seja muito chato. Maduro demais fica mais perto do podre que, depois de cair não consegue mais levantar. A terra come.

Pergunte-se de novo: Você está velho demais pra isso? Para fazer viagens e cruzar fronteiras, para aprender a nadar, a andar de bike. Para aprender um novo idioma. Para simplesmente caminhar! Para levantar da mesa e se arriscar a levar um fora. Para ir a um show sem ser na área VIP. Pra pular na pipoca. Velho demais para estar no meio de uma multidão. Para gritar, para correr. Velho demais para cometer gafes, pagar micos, aprender a ser tecnológico. "Ah, isso não é do meu tempo."

Se o seu tempo ficou pra trás e este não é o seu tempo, caia. Você está morto.

domingo, 19 de outubro de 2014

Estudos comprovam que heroína faz bem à saúde


Há pouco mais de um ano, procurava feito doido respostas para minhas dúvidas da vida. Sobre o porque de estar conformado com uma vida medíocre, onde temos que aceitar tudo e a todos sem colocar a nós mesmos como prioridade. Conformar com submissão ao sistema que nos coloca como simples produtos com prazo de validade. Estava frustrado comigo mesmo sobre minhas questões existenciais. Projetos de vida que planejei e que não deram certo. Expectativas também frustradas.

Nada funcionava, justamente, porque eu sabia que meu caminho não era aquele e que estava ocupando o meu tempo de vida com todos os condicionamentos impostos por nossa sociedade fraca de opinião; conduzida pelo "mariavaicomasoutrasismo". Eu sabia. No fundo eu sabia que se permanecesse conformado com essa vida mediana da qual a grande maioria compactua, iria dar merda. E deu! Foi aí que encontrei a heroína...

Sim. Na verdade encontrei várias, mas a primeira, e é dela que vou falar aqui, encontrei dentro de um livro. O engraçado é que eu tinha comprado para dar de presente e acabei viciando no conteúdo que havia ali dentro. Era muita viagem. Muitas, mas muitas viagens mesmo! Se cada viagem contasse um cep diferente, teria morado em mais de trinta lugares nesse período. E logo que terminou a última viagem do livro, percebi que estava numa vida medíocre mesmo.

Sorte a minha ter encontrado o livro desta pessoa que considero uma grande heroína: Alana Trauczynski, autora do Recalculando a Rota! Lembro que escrevi logo no começo do meu blog Fenixidade, um artigo chamado "Heroínas da vida real". Nele eu citava, sobre como as mulheres estão anos luz à frente dos homens. Parece que nós paramos no tempo, e elas não só prosseguiram como se reinventaram. E mais ainda, continuam a ajudar as pessoas a se reinventarem também. E esta reinvenção não é nada mais que um retorno às nossas próprias origens.

E nesse pouco mais de um ano, fui investigar o que essas heroínas estavam fazendo que me chamavam tanto a atenção. Elas estavam em busca de propósito. Já me encontrava nessa busca, porém sem saber claramente que era este sentido que eu queria lá no meu interior e que estava sendo sufocado por todas as convenções da sociedade. O livro da Alana foi, na prática, uma nova rota que se apresentou. Através dele conheci outros livros e pessoas que pavimentam minha estrada até hoje.

O melhor é que tudo isso foi tecendo uma rede de significado, propósito e experiências reais, das quais não consigo parar de agradecer cada momento que tenho vivido após ter enxergado uma nova visão de vida. Ou quem sabe, isso não teria apenas dissolvido as cataratas negras que se formam em nossas retinas? Comecei a entrar em contato com várias pessoas de mesmo propósito e, inclusive, a conhecê-las pessoalmente. A Alana é uma delas.

Não satisfeito com o livro fui fazer o workshop "A história que você precisa contar", facilitado pela própria Alana e a Adriana Calabró (Sinceramente, estamos vivendo o x-man de heroínas da vida real, como elas são sensacionais!). A mesma atmosfera de propósito desse "livro GPS" permeou durante todos os dias de curso. Quantas pessoas conectadas! E que conexões foram aquelas!? Quase ficção, se não fosse verdade. Eis um filme que, na real, fez jus ao conteúdo de um livro!

Essa "historinha" toda bem que poderia ser uma grande propaganda do livro Recalculando a Rota ou um merchandising do workshop dessas heroínas. Eu era um publicitário que se desencantou com a publicidade e propaganda. Que viu aos poucos aquele sonho criativo das grandes campanhas se perder no meio do capitalismo do ego. Assistiu e viveu o lado apático da comunicação social do funcionalismo público.

Hoje sou um minimalista desapegado das coisas materiais e do glamour da ostentação do comércio. E apesar disso tudo, ainda faço propaganda. Só que... para produtos que realmente acredito que vão evoluir o ser humano. Promovo pessoas sim, que fazem da nossa vida mais interessante e vívida. Porque eu descubro a cada dia as minas de ouro que estão dentro das pessoas. Às vezes material bruto, às vezes beneficiado por qualidades tão genuínas como a verdade, a honestidade, o cuidado e a generosidade que existe de forma tão natural dentro de nós seres humanos.

Considere sim, esse meu texto uma propaganda explícita e gratuita do Recalculando a Rota. Logo abaixo seguem aqueles links marqueteiros que a gente anda recebendo nos emails. Porém, com uma diferença: o conteúdo me fez melhor, e está me ajudando a seguir meu propósito de vida. Assinei a newsletter e sempre há textos que mexem com a gente. Em uma delas veio um chamado para um workshop; fui lá e fiz. Ele me deixou rico, mudou meu olhar sobre a vida.

Falo com essa propriedade toda porque hoje conheço não só uma ou duas pessoas que mudaram suas vidas por conta do trabalho da Alana. Conheço, pessoalmente, mais de uma dúzia que como eu está com um novo sopro de vida! E a ideia inicial que você teve ao ler o título desse texto é real e sem aquela conotação negativa. Existem sim, heróis e heroínas. Eles podem estar ao seu lado, nos livros, em vídeos, na internet e até dentro de si mesmo. Se a sua vida de alguma forma corre perigo, porque não chamar a Liga da Justiça?

Para ler aquele texto das heroínas que falei clica aqui. Livro, site e newsletter Recalculando a Rota de Alana Trauczynski acesse: www.recalculandoarota.com.br. Quem assina a newsletter ainda recebe o e-book "VIVER DE PROPÓSITO".

domingo, 12 de outubro de 2014

Sujeira nas eleições


Trabalhei bastante tempo como designer gráfico. E uma das principais atividades na profissão era a criação de arte gráfica para trabalhos em mídia impressa. Cartazes, banners, convites, panfletos, cartões, impressos em geral. Tudo que você imaginar de publicidade em impressão física. Na semana da eleição, quando vi nas ruas a quantidade descomunal de santinhos, impressos e adesivos de políticos jogados no chão, tomei uma decisão. Vou reduzir qualquer tipo de impressão ao máximo, beirando ao extremo.

Qual a real necessidade de produzir material impresso, na era digital? Você vai num evento e recebe aquele monte de panfletinhos, cartilhas e coisas impressas pra depois jogar tudo no lixo. Ou você guarda tudo? Acho difícil. Aqueles inúmeros cartões de visita derramando da gaveta, certificados para provar que fez tal curso, faturas, boletos, bilhetes de passagens aéreas, nossas caixas de correio abarrotadas de políticos photoshopados e campanhas eleitoreiras.

Papelada pra comprovar assinaturas, trocentas mil vias de cada uma delas. Enquanto isso no Japão a rubrica é simplesmente um carimbo com o sobrenome da pessoa. Assinatura de jornal impresso só para pedir pro seu cão ir buscar no início da manhã. Aqueles livretos de programação de eventos que você pega e nunca lê. Flyers com cheiro insuportável que te entregam no farol. Quanto desperdício! Usar papel reciclado ajuda, mas não faz tanta diferença. São bem mais caros que o convencional e passíveis ao descarte do mesmo jeito.

Comprovantes de residência, xerox de qualquer coisa, ímãs de geladeira com o telefone do gás, bilhetinhos de igrejas com a palavra de deus, jornaizinhos da comunidade que perambulam pelo ar, entopem bueiros e mofam na portaria do seu prédio. Canhotos, tickets, vouchers, bulas de remédio. "Quer a segunda via, senhor?" Você compra produtos pela internet e ainda vem a nota fiscal impressa. Calendários de bolso, folhinhas do ano que ganhamos da padaria (ainda existem), e tem gente que acredita que está ajudando alguém dando emprego de panfleteiro nas calçadas.

A burocracia das repartições públicas e o modo de se fazer campanhas políticas ofende nossa bela, rica e necessária natureza. Eles mantêm o atraso da evolução da comunicação através dos diversos contratos com gráficas, manutenção de recursos de impressão e fornecimento de papel. É um grande contrassenso! A sustentabilidade não é mais modinha. É necessidade fundamental, consciência ambiental. É o voto para deixar nossa casa limpa. A casa a qual chamamos de Planeta Terra.

O destralha te convida a ser mais digital, desta forma completamente saudável. Vale apena? Deixa nos comentários aqui sua opinião.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Bonsai ou Sequóia?


Pinçamento de brotos, poda, e aramação de galhos, são técnicas usadas para limitar o crescimento saudável. O Bonsai é isso: plantas que são cultivadas num recipiente para restringir as suas raízes. Em outras palavras, é um processo de impedimento do crescimento de uma árvore. Achava muito interessante essa arte, mas depois de entender como funciona foi uma decepção.

Originada na China antiga, a arte do Bonsai foi difundida muito mais pelos japoneses do que os próprios chineses. Na minha cabeça era uma espécie de árvore miniatura cultivada para permanecer bela ao longo dos anos. Errado! O Bonsai é feito a partir de qualquer planta utilizando dessas técnicas para que ela permaneça pequena, limitada e encruada. Tudo isso garante que ela nunca se desenvolva. Muito triste, não? Podar todas as suas energias vitais para transformá-la em bibelô de decoração.

A capa do livro destralha, que escrevo agora, já estava definida com a imagem de um Bonsai. Acreditava que o minimalismo tinha tudo a ver com isso. Então fui procurar a essência dessa arte e levei um susto quando descobri. Ainda mais para mim, descendente de japoneses e admirador da "arte" milenar.

Imagine só. Nós quando crianças sendo podados o tempo inteiro. Um não aqui, uma super proteção ali. Todos aqueles condicionamentos que nos impuseram e que nos impediram de crescer de forma natural. A restrição de nossos impulsos, a classificação dos nossos frutos e até mesmo a repressão deles. Mas quem nasceu para ser Sequóia não deve ser Bonsailizado! As Sequóias são as árvores mais altas do planeta Terra. Podem atingir cerca de 120 metros de altura e seu tronco 17 metros de diâmetro! 

Depois disso fiz uma reflexão sobre como podemos estar cultivando um Bonsai dentro de nós mesmos. E há muito tempo! Ou ainda, permitindo que sejamos cultivados para serem apenas bibelôs no paisagismo da vida. Que a gente permita o crescimento dos nossos brotos e também a criação de capas mais criativas para os livros de nossas histórias. Não sendo Bonsais, e sim Sequóias.


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Somos todos perfeitos


Ar condicionado ligado, sala toda decorada e a primeira pergunta: Aceita uma água, um café? Aí então, chega o avaliador com expressão altiva, senta-se na cadeira de rodinhas cromadas e encosto até a altura da cabeça. Ele sabatina qual o seu maior defeito e você diz que é ser perfeccionista. O ambiente proporciona conforto, mas não pra dizer que seu maior defeito é chegar atrasado, fazer fofoca, que odeia hierarquias ou mesmo que adora comer enquanto trabalha. Seu defeito é não ter defeitos! O defeito é ser perfeito.

Já dizia o velho deitado que filho feio não tem pai. Porque é tão difícil assumir nossos erros? Reconhecer nossos defeitos parece martírio. Ficamos ali negando, escondendo e apontando os dos outros. Encobrimos as rebarbas de nossa personalidade na ilusão de que somos ilusionistas a fazer desaparecer nossas imperfeições.

Já fui daqueles perfeccionistas que não conseguem terminar um texto porque achava que ainda estava ruim. Talvez seja por isso que boa parte do tempo, antes de lançar o livro, meus poemas ficaram tímidos dentro da gaveta na espera da fada da perfeição. Aquele cara que não conseguia ver um post-it grudado na tela do computador, ou que alinhava o mouse pad junto ao teclado para não ficar torto! E a pior característica que alguém pode ter: ficar na inércia esperando o momento perfeito.

Uma pessoa dessas precisava ou não fazer um d e s t r a l h a?

Hoje gosto muito de dizer e acredito, que a imperfeição faz parte da perfeição. O perfeito é uma unidade com uma coisa imperfeita dentro. São as montanhas do Rio de Janeiro com as favelas encrustadas nas rochas. A namorada que te irrita. É a mãe que te enche o saco quando pede pra levar o casaco. Perfeito é aquele amigo que falou, na lata, que te achava insuportável antes de te conhecer melhor. Consertar o erro é perfeito. Assumir nossos erros é a perfeição. O erro não faz parte; ele é parte. Parte da nossa perfeição.

Parece muito estranho dizer isso, que é preciso destralhar a perfeição. Lao Tsé dizia que "O homem correto age por uma lei interna, e não por mandamentos externos". Lembra do símbolo yin yang? Não tem como ser perfeito se não houver um pouco do oposto. Hoje, não só assumo como gosto do aprendizado dos meus erros. Isso me evolui muito mais e vivo a vida mais livre.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Minimalistas em ação - Camilo Bracarense


"Possuir menos coisas deixou nosso espírito
mais leve, nossa mente mais serena. "





Camilo Bracarense é Designer, Desenvolvedor Front-End, blogueiro, empreendedor digital e aspirante a escritor. Imperfeito, inadequado e sonhador. Ainda tem esperança de aprender a surfar. Acorda cedo e cuida diariamente de uma horta orgânica, enquanto pensa em como dominar o mundo (seu próprio mundo). E ainda volta pra casa com a mistura, cantando pa pa pa pará, pa pa pa pará.


O QUE O MINIMALISMO TE TROUXE DE BOM?

Através do minimalismo, eu tomei consciência do sentimento que hoje rege minha vida: o desapego

Comecei a praticar o minimalismo num momento de transição em minha vida. Eu estava prestes a pedir demissão. Estava me sentindo pesado por ter que possuir um monte de coisas que, de certa forma, não me pertenciam mais. Meu espírito estava cansado. Ainda preso ao que a vida em sociedade nos impõe como essencial, eu questionava cada vez mais o verdadeiro propósito de se esforçar tanto pra chegar a algo próximo do que as pessoas chamam de sucesso: um emprego melhor, um carro melhor, uma casa maior, status. 

Foi em meio a tanto questionamento que decidi realmente pedir demissão. Eu e Rúbia (minha esposa) fizemos um planejamento que abrangia tanto questões financeiras como mudanças de estilo de vida. Era o começo da nossa guinada rumo a uma vida com mais propósito. Em busca de autoconhecimento, comecei a me aprofundar no tema minimalismo. Notei que havia muito mais pessoas do que eu imaginava, vivendo bem com pouco e despendendo esforços em questões que realmente valiam a pena. 

Ao mesmo tempo em que minhas ideias clareavam, eu sentia uma vontade enorme de fazer o bem. Todas as pessoas que, de alguma forma, faziam parte da minha vida, começaram a despertar em mim, sentimentos mais puros. Passei a buscar motivos nas atitudes dessas pessoas. E esse sentimento fazia com que eu me desapegasse de atitudes e pensasse mais em histórias de vida. E quando sua visão se amplia dessa forma, a caridade ganha outro significado. Você passa a aceitar melhor o doar e o receber. O merecimento deixa de ser assunto da sua alçada. Ah, como é libertador deixar de julgar as pessoas!

Possuir objetos obsoletos passou a me causar um incômodo enorme. Na verdade, aquilo sempre me incomodou e, sinceramente, acho que incomoda qualquer um, por mais que as pessoas se neguem a enxergar essa realidade. Assim decidi fazer meu primeiro destralha radical. Em uma tarde, juntei mais da metade dos utensílios que tínhamos em nossa cozinha e várias outras bugigangas que estavam paradas na área de serviço e doei a pessoas que precisavam daquelas coisas que, em minha vida, só faziam peso. E não pense que simplesmente me livrei de velharias. No meio daquilo que pra mim era tralha, havia objetos que simplesmente nunca usamos, pelo fato de sermos apenas 3: eu, Rúbia e nossa filha Manu. Agora eu te pergunto: por que em uma casa habitada por 3 pessoas, deveria haver dezenas de pratos, talheres e copos? Naquela tarde, vi que as coisas estavam realmente mudando, quando Rúbia chegou do trabalho, notou que a casa estava mais vazia e curtiu a sensação. Possuir menos coisas deixou nosso espírito mais leve, nossa mente mais serena.

Com o desapego material, o desapego emocional começou a dar sinal de vida. Passei a entender melhor os motivos de cada um e meus próprios motivos. Aprendi que 100 por cento dos meus aborrecimentos nada mais eram que meu ego me usando, tentando me convencer de que eu precisava manifestar minha raiva, meu ciúme, minhas discordâncias. Enxergar tudo isso acalmou meu coração de uma forma que eu nunca havia experimentado antes. E se algum dia, caro leitor, eu te der um abraço, saiba que mesmo calado, estarei desejando a você o melhor que há nessa vida: desapego.

Desculpa, mas eu tenho razão


Desde criança somos incentivados a moldar o nosso ego para que ele torne-se uma arma e um escudo ao mesmo tempo. Começa um processo de blindagem para que não sejamos ofendidos nem tachados como inferiores. E com o passar dos anos já estamos experts em defender com unhas e dentes a nossa lustrada razão. Mesmo que isso nos cause prejuízos.

Diz aí, quantas pessoas você conhece que nunca dão o braço a torcer? Que falam muito sobre Jesus e nunca deram a outra face para bater? Ou vivem uma falsa verdade, mantêm a fachada da família feliz para permanecer na falsa superioridade da razão.

Aquelas pessoas que querem ter sempre a última palavra na discussão. Aqueles que ficam segurando a porta do elevador até a última pessoa sair. Não por educação, mas por alguma espécie de saciamento do ego. Ou os que juram que o seu trajeto é sempre o melhor. Os que dizem sempre "vai por mim". Os que ligam para o CVV e acabam se matando.

Se a nossa grama não é mais verde, ela é de uma raça importada. "Meu carro é um popular, mas é mais econômico que o seu". Não se pode ficar por baixo. Há de se procurar uma razão para justificar a posição de segunda voz na dupla sertaneja. Nunca é a sua vez de ceder. É o machismo e o feminismo exacerbado, é a sensação de ser sempre a resposta, nunca a pergunta.

Considero uma das melhores frases do mundo aquela criada por Ferreira Gullar: "Não quero ter razão, eu quero é ser feliz!" O poeta teve esse insight quando estava em casa sozinho depois de uma briga com sua mulher. Ele ficou na fossa e acabou ligando pra ela dizendo essa frase. Tudo ficou em paz. O mais incrível é que tempos depois, após publicado em seus versos, um leitor o encontrou e disse que aquela frase também o teria feito reatar com sua namorada. 

Quantas e quantas vezes nos já deixamos passar coisas, momentos e oportunidades apenas por querer ter a razão. Talvez nem por nossa própria culpa, mas pelo condicionamento que cultivamos no curso da vida. Precisamos manter o ego intacto, ou seguir apenas o intelecto, o lado esquerdo do cérebro. Ego, orgulho, razão, eles estão ali juntinhos, bem perto um do outro; como uma barreira de jogadores a impedir o gol.

Você pode ter perdido uma amizade apenas por não querer ligar primeiro. Ter se envolvido em um acidente por escolher a estrada mais difícil só para ter razão. Se perder em algum lugar desconhecido por dizer sempre "eu sei o que estou fazendo". Vão haver momentos em que não saberemos mesmo, o que estamos fazendo. E isso é completamente natural. Não é ser ofendido, tão pouco inferior. Não ter a razão de vez em quando é premissa fundamental para ser feliz. É ou não é? Desculpa, mas é que eu tenho razão.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Como NÃO passar em concurso público


Que me perdoem os concurseiros de plantão, mas aonde vamos chegar com tanto funcionário público nas repartições públicas? Editais para a "vaga dos sonhos" publicados a todo momento dos mais variados órgãos, agências e entidades governamentais possíveis. É tanta gente querendo ter estabilidade, segurança e privilégios, que a vida parece ser uma eterna dança das cadeiras, onde quem não sentar logo, dança! Difícil essa vida de candidato. A concorrência é grande e o jeito é partir para outras profissões. Então, resolvi fazer este artigo para quem escolhe caminhos mais fáceis na vida, como escolher aquela profissão que talvez não tenha estabilidade, nem garantias, mas faz a gente mais satisfeito no fim do dia. Você vai aprender agora Como NÃO passar em concurso público!

Primeiro, escute a voz do seu coração. O que ela diz sobre o que você gosta de fazer? Quando criança, o que fazia seus olhos brilharem? O Maurício de Souza, queria desenhar desde pequeno e continua desenhando a Mônica até hoje. Sabe aquele momento que você fica pensando sozinho em alguma coisa boa, e sem perceber dá um sorriso de canto de boca? Isso pode ser o que você gostaria de fazer com prazer. Escute essa voz do coração. Ele nunca erra.

Segundo, pense no que é mais interessante: uma estrada reta ou uma curva sinuosa? Horizontes previsíveis ou montanhas misteriosas? Na linha reta, estável e segura da pra ver tudo que vai acontecer, de longe. Experimente a curva. Não bate aquela curiosidade de saber o que vem logo depois? Alice foi até a toca do coelho e olha quantas coisas interessantes ela viveu!

Terceiro. Prefira provas mais fáceis. As bancas dos concursos exigem muito de nós. Experimente provas mais tranquilas como criar algo novo para o mundo e tentar sobreviver ganhando por isso. Steve Jobs, por exemplo, nem conseguiu fazer a faculdade direito, coitado. Foi trabalhar em máquinas velhas pensando em coisas surreais e improváveis. Onde já se viu abrir uma empresa com o nome de Maçã?!

Quarto, deixe a concorrência pra lá. Esqueça essa coisa de candidatos por vaga. Tem alguém nesse universo igualzinho a você? Claro, que não. E se você é exclusivo aqui nessa vida, existe uma vaga exclusiva pra você trabalhar. E é você quem pode criá-la a qualquer momento que você quiser. Ocupe essa vaga! Se observar a vida com cuidado, verá que a todo momento chegam mensagens lhe chamando para tomar posse do cargo.

Quinto. Não se preocupe com a aposentadoria. Ninguém sabe o dia de amanhã, não é mesmo. O tempinho que você tiver de folga, carpe diem! Viva agora! Deixe de virar a noite e estudar todos os finais de semana. Você pode virar a noite numa balada e dormir sem se preocupar se tomou o remédio controlado ou se chegará atrasado no dia da prova.

Essas são algumas dicas sobre como NÃO passar em concurso público. Se quiser obter o conteúdo completo, faça esse primeiro módulo de 5 passos e a vida vai liberar o restante pra você. INTEIRAMENTE GRÁTIS! Eu sei que tem gente que ama o que faz. Mas, a cláusula pétrea desse curso é fazer o que ama. Pode começar e boa sorte!

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A carência de todos nós


Quanto mais eu vivo, percebo o aumento avassalador da carência de amor que todos nós sentimos. E, ao mesmo tempo um amor exponencial que existe dentro de cada um de nós que está guardado, incubado, reprimido, maculado, entre vários outros adjetivos. Este amor é imenso e sob todas as formas. Afinal, tudo se resume ao amor. Ele existe em excesso! Então nos perguntamos: porque tantos desencontros?

Que fortaleza é essa que colocamos no coração para não deixar o amor sair? O que faz as mães abandonarem seus filhos dentro de uma cesta na porta de uma casa qualquer? Ela não o ama? Famílias onde irmãos vivem com uma espécie de concorrência. Filhos únicos que dariam o mundo para concorrer assim. Amizades que quase se formam. O Romantismo que foi expulso do mundo moderno. Existem muitas defesas contra o amor, e várias flechas prontas para disparar. Os cupidos querem trabalhar, por favor, permitam! Baixem a guarda. Abram o coração! 

Se a gente reparar bem, não sobra um. Todos estamos carentes de afeto, de amor e de atenção. É o filho pedindo mais tempo, a mãe ligando o dia inteiro. Amigos cobrando visitas e mal recebem um email. Queremos novos amigos, temos saudades de nossos pais, quando longe. Inventamos inúmeras coisas para se ocupar e não lembrar de amar. Seu cachorro espera ansioso você chegar para receber carinho. É gente chorando a partida, outros que brigam pra não ir embora. Casais que prometeram amar vivendo até que a falta de amor nos separe. São as crianças precoces no colégio. A nostalgia dos tempos de faculdade.

Fechando meus olhos posso sentir o tamanho da carência que há em mim mesmo! E olha que coisa, um cara dizendo que está carente? Como assim? E aí vai outro exemplo. Homens que estão ocos por dentro com vergonha de dizer que amam, subiram uma parede de orgulho quase inescalável. Tudo para evitar a força do amor. E mulheres que querem se proteger começando a construir essa mesma parede, que quebram as flechas dos anjos. As pessoas que dão abraços frouxos por temer o contato. O contato que é cada vez mais efêmero. É a profundidade que não queremos mais chegar.

E a pergunta ainda persiste sem resposta exata, embora cientes de tudo isso. Evitamos até a própria resposta. Será medo, orgulho, feridas abertas, proibições, autossuficiência? Quem sabe? A mensagem que esse texto diz pode até parecer Hippie Piece And Love, só que é puramente racional! Estou usando e tem me preenchido muitos vazios. É a seguinte: Destralha o seu amor!


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Conforto


Quando o assunto é desapego aparecem vários motivos que justificam aqueles "confortos" que não abrimos mão. Minimalismo é viver com o básico, porém sem exageros. Não é preciso dormir no chão ou comprar tudo da promoção. Nem usar as roupas até os farrapos. Muito menos andar a pé se precisa de condução. Se existem resistências com relação ao conforto sobre coisas materiais, imagina quanto ao conforto diante de dificuldades, emoções e atitudes. Será mesmo "o desapegar" um destruidor dos nossos confortos?

Talvez você ache difícil andar da parada de ônibus até o trabalho, aí compra um carro. Pronto, resolvido. Está brigado com algum amigo? Fácil, só o excluir das suas redes sociais. Mas aí ficou deprimido, ansioso e nem sabe o porque. Muito tranquilo de resolver. É só uma receitinha do psiquiatra e o bom atendimento do atendente da farmácia. Tem gente que espiritualiza e ainda coloca apelido carinhoso em antidepressivo: Santo Remedinho Lindo!

A autoestima não é mais problema de psicólogo. Se resolve com cartão de crédito. Não precisa se abrir com ninguém nem ter medo de que os outros digam que você é fraco, ou louco. Não precisa se expor a julgamentos. Quantas situações confortáveis que a gente acaba adotando como hábitos, às vezes até de forma inconsciente, influenciados pela mídia, pelo senso comum, pela maioria, por medo e muitos outros motivos, não é mesmo?

Se esse tipo de situação confortável passa a ser necessidade fundamental, nosso "jeito de fazer as coisas" ou mesmo uma maneira de alívio para o estresse, é legal fazer uma reflexão. Quando o conforto que procuramos é forma de entretenimento e qualidade de vida, tudo certo. No caso de ser uma válvula de escape, aí tem coisa.

Buscar confortos para compensar desconfortos pode ser um modelo de vida bem tóxico. Muito do aprendizado que obtemos nessa vida vem do desconforto, do sofrimento, das situações inesperadas e do imprevisto. O confortável nos obriga a permanecer na inércia, e a vida é movimento. E o minimalismo, na sua função como estilo de vida, é se livrar do supérfulo para concentrar-se no essencial. A partir daí descobrir o que é o conforto real e duradouro.

Ter um carro legal é ótimo. Mas se o trânsito não ajuda e uma bicicleta te da mais mobilidade, porque insistir em manter um recurso que faz seu dinheiro ir embora? Milhões de amigos no facebook pode até confortar o ego do coração virtual, agora, nada mais confortável e vivo do que uma conversa com aquele seu único amigo no sofá da sala. O cara-a-cara, o saber que existe sangue correndo nas veias.

Conforto tem se tornado um sinônimo de inércia, preguiça, de traseiros sedentários colados com velcro no sofá, de controle remoto nas mãos, assistindo a falência do cérebro. Enquanto isso, muita gente tem buscado um jeito simples de viver está VIVENDO de forma desconfortável, mas contanto histórias de desafio e superação.

Depois que comecei a estar mais na presença física com amigos, dar mais atenção real às pessoas e a desvirtualizar meus relacionamentos entendi e reconheci o verdadeiro significado de conforto: o conforto de estar em movimento, na temperatura ambiente; sem ar-condicionado. Em ação. Como dizem os atletas quando estão fora da sua zona de conforto para se superar: In the zone!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Decidi contar segredos


Está no dicionário: se·gre·do. 1. Coisa que não deve ser sabida por outrem. 2. Coisa que se diz a outrem mas que não deve ser sabida de terceiro. 3. Lugar de uma prisão onde se conservam os presos que devem estar incomunicáveis.

Segredo é algo que proíbe a liberdade. Se existe uma palavra contrária ao desapego é essa. Porque alguém guarda um segredo? Tirando a surpresas de infância como: quem é o Papai Noel que deixou os presentinhos na meia, um segredo existe para esconder informações. Pense comigo: tenho guardado algum segredo? Algum segredo de infância? Há alguma coisa que preciso esconder dos outros? Pra que?

Já dá pra imaginar a proposta, certo? Sem rodeios. É isso mesmo: e se contasse seus segredos? Esvaziasse essa caixinha secreta? Sem se esconder dentro deles, sem podar suas atitudes baseadas em "coisas que ninguém pode saber". Se é um trauma, existe como tratar e se ajudar. É uma opção sexual condenada pela sua família, pela sociedade? Você pode sentir-se mais confortável desabafando com alguém de confiança. É uma declaração de amor? Verbalizar que ama, mesmo recebendo um não, adiciona mais amor no Universo.

Cometeu alguma injustiça e tem medo de ser odiado? Um pedido de desculpas é uma das atitudes mais nobres do ser humano. Faz coisas escondido por vergonha? Que tal ficar sem vergonha de ver em quando? Pode nem ser tão assustador assim. Todas as vezes que guardei ou me envolvi em algum segredo, sempre fiquei com algo entalado de alguma forma. Depois de algum tempo, quando revelado, esclarecido, pude perceber uns quilos a menos. Segredos pesam.

Carreguei por muito tempo um segredo chamado depressão. Houve uma grande transformação dentro de mim, depois que decidi destralhá-lo. E não contei apenas para um amigo de confiança. Publiquei em livro para os quatro cantos do mundo! Ainda fiz algo de bom com isso que me privou de alguns vários anos de oportunidades de ação.

Segredos ocupam lugares preciosos em nossa vida. Causam medo, vergonha, ansiedade, vários sentimentos negativos e expectativas frustradas. Pior! Segredos impedem o fluxo da vida. Já ouviu falar que uma informação só tem valor se divulgada? Você pode guardar uma grande ideia em segredo, mas enquanto ela não for revelada, vai apenas flutuar no mundo da fantasia, como aquelas nuvens que você vê pela janela do avião. Um dia elas ficam escuras e viram chuva a escorrer pelos canos no esgoto.

É difícil sim destralhar um segredo. Mas, quando o fizer vai perceber uma transformação que permitirá viver de forma mais livre. Não é questão de acabar com todos os segredos. É deixar a vida leve, com mais surpresas e realização de desejos.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Minimalistas em ação! - Walk and Talk


"O negócio é minimizar o que te prende e
 maximizar o que te solta! "




Luah Galvão é atriz e apresentadora e Danilo España, fotógrafo. Juntos idealizaram o Projeto Walk and Talk - A volta ao mundo em busca do que move, inspira e motiva. Viajaram por mais de 2 anos, visitando 28 países nos 5 continentes. Recentemente decidiram estudar superação e para isso percorreram mais de 800 quilômetros à pé em 52 dias no Caminho de Santiago de Compostela, Espanha. Compartilham essas ricas experiências em seu site, nos portais das revistas Exame e Harvard Business Review Brasil, além das mídias sociais do Projeto Walk and Talk e revistas como a Rota Leste. Ministram palestras e workshops pelo Brasil com diferentes temas sempre levando em conta a busca pelo propósito, desenvolvimento de talentos, qual legado deixaremos para o mundo, motivação, superação, entre outros temas relevantes.


O QUE O MINIMALISMO TE TROUXE DE BOM?

Depois de fazer uma volta ao mundo, pesquisando o que move inspira e motiva pessoas das mais variadas raças, credos, culturas e cores, muita coisa mudou em nós. Passamos por realidades tão distintas que nossos valores mudaram, acabamos percebendo o que é realmente necessário na vida. 

Assim que chegamos ao Brasil mal reconhecíamos nossas coisas, tudo nos parecia em excesso, desde roupas, sapatos, móveis, objetos... Começamos a reduzir as quantidades pra ficar com o necessário. Doamos, demos e vendemos muita coisa. Hoje estamos experimentando uma liberdade muito maior. Outra mudança significativa foi alugar nosso apartamento, notamos que era possível morar bem em um lugar menor e mais prático. Ficou mais fácil sair para novos projetos como o “Walk and Talk - No Caminho de Compostela”, onde ficamos 2 meses fora ou quando viajamos a trabalho ou lazer. É fácil trancar o apê e ir embora! Os custos são menores com condomínio, manutenção, contas, limpeza, etc...

Esse caminho minimalista acabou se tornando natural após viver mais de 2 anos com nossas mochilas nas costas. Viver com 15 kg te faz experienciar uma vida mais simples e perceber que precisamos de muito menos para viver do que podíamos imaginar. Outra mudança bacana foi passar de dois carros para apenas um. Contribuir com menos poluição e trânsito vale a pena. A gente se vira super bem, basta organizar as agendas e pronto.  

Os gastos com futilidades quase não existem mais em nossas vidas, passamos a dar muito mais valor para as pessoas, para os momentos,  e para o que realmente importa. Isso não quer dizer abrir mão de qualidade de vida ou conforto, esses são elementos necessários para o bem estar e saúde de todos. Mas desperdiçar tempo e dinheiro não é com a gente! (risadas) O negócio é minimizar o que te prende e maximizar o que te solta! Hoje somos mais livres!!

Danilo España

Para Mover - Inspirar - Motivar acesse aqui    www.walkandtalk.com.br

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Minimalistas em ação! - Paula Quintão


"Como o minimalismo me faz viver com o mínimo
para sentir o máximo."




Paula Quintão é escritora, montanhista-viajante, mestre pela UFMG, doutoranda pela UFAM, paraquedista, mãe da adolescente Clara, fundadora da Equipar para Vencer.


O QUE O MINIMALISMO TE TROUXE DE BOM?

Simples: uma vida sem complicações. Como o minimalismo me faz viver com o mínimo para sentir o máximo
Por Paula Quintão

Se há 10 anos alguém tentasse argumentar comigo sobre ser possível ser feliz com apenas o que cabe em uma mochila eu não acreditaria, acharia que era conversa furada das boas.

Mas acontece que o mundo da voltas e se tem uma coisa que é certa nessa vida é que estamos em constante processo de aprendizado e transformação.

Pois eu aprendi e muito.

Nesse meio tempo, houve um dia, vivendo a cura de uma crise emocional terrível graças a um relacionamento amoroso que tinha ido por água abaixo, que percebi que tudo o que eu queria era subir uma montanha, chegar lá em cim e chorar muito as dores daquela decepção e de tantas outras superações da minha vida.

Pois eu, que de esportista nunca tive nada, comprei meus equipamentos de trilha, entre eles uma mochila em que caberia tudo o que eu usaria nos oito dias de expedição e uma bota que me levaria pelos caminhos que eu quisesse.

Eu mal podia esperar pela viagem. Ficava me perguntando mil vezes: será que eu vou conseguir caminhar tantos quilômetros por tantos dias?! Será que vou ficar bem tomando banho no rio e com um grupo de pessoas que eu nunca vi?! Será que vou esquecer alguma coisa importante fora da bagagem?! Será que vou conseguir superar a ausência do banheiro e usar o mato numa boa?! E como vai ficar meu corpo dormindo uma semana na barraca?! Será?! Será?!

Mil perguntas rondavam minha mente e minha sensação de estar fora do casulo foi constante por dias antes da viagem. Mas aí chegou o grande dia e quando meu grupo de totais desconhecidos desembarcou frente a frente com o Monte Roraima, na aldeia indígena de Paraitepuy na Venezuela, eu só pude respirar fundo diante da imensidão daquele Gigante na minha frente e pensar: só me resta dar um passo de cada vez e chegar ao topo dessa montanha. E assim o fiz.

E de um passo após o outro, três dias depois eu não só estava no topo da montanha pensando no quanto aquele mundo visto lá do alto era incrível e sobre quanto cada passo nos leva longe, como já tinha descoberto que era possível viver num estado de felicidade suprema com tão poucas coisas.

Eu não tinha meu vaso sanitário mágico, não tinha meu banho quente que adoro mesmo em dias quentes de Manaus, não tinha computador, luz elétrica, celular, não tinha nenhum calçado além da minha bota e da minha sandália papete, não tinha comidas de bons restaurantes nem mesmo bem temperadas, mas eu estava irradiando felicidade.

Era feliz por tudo. Vivia o momento plenamente. Nada me preocupava, eu só me ocupava em manter meu corpo em movimento, superar os obstáculos, aproveitar o caminho e agradecer pela fantástica experiência.

Depois daquela expedição, minha vida nunca mais voltou ao mesmo lugar, meu olhar nunca mais foi o mesmo.

Descobri, de uma maneira mágica, que não são as coisas e nem mesmo as pessoas que me cercam que me fazem feliz, sou eu mesma no contato pleno com a experiência do agora que construo a minha realidade ao direcionar o meu pensamento para aquilo que quero priorizar. E sei que para conseguirmos viver a experiência única do AGORA só mesmo se não estivermos carregando tanta coisa com a gente.

Para viver plenamente o AGORA é preciso simplicidade, ou seja, menos laços e emaranhados, que é isso que a origem da palavra que dizer (simples = sem laços = descomplicado). Para viver plenamente o AGORA é preciso seguir leve...

Seguir leve é seguir com menos coisas - porque quanto menos coisas temos, menos tempo precisamos dedicar à manutenção de tudo. Seguir leve é seguir desapegado - porque não importa o que você perde materialmente, no fim das contas você e sua essência continuarão até o fim de sua existência.

E nesse caminho do minimalismo, tendo menos para sentir mais, descobri um mundo de possibilidades que só fizeram da minha vida uma vida melhor e mais conectada com o que sou, com o que o outro é e com o que o universo é.

Ao escolher ter menos coisas eu faço a escolha também por valorizar mais o que vai no interior e não o que vai no exterior. Eu entro em sintonia com a essência das pessoas e esqueço o que elas carregam consigo também.

Sigo em frente sem pressa, investindo meu precioso tempo, esse bem que não está à venda nem na mais luxuosas das vitrines, em aprender e conhecer , em experimentar e aprimorar meus olhares do que em ter, ter, ter. O ser completo e integral, pleno em leveza, pode então reinar na minha vida.


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